Desconstruindo Mitos Sobre Calvino

on Domingo, 5 de Julho de 2009

Desconstruindo mitos sobre Calvino



Grande parte da cristandade celebra os 500 anos do nascimento de João Calvino neste ano. Infelizmente, as imagens populares que se tem do reformador francês são muitas vezes distorcidas, cercadas por mitos que não representam o verdadeiro Calvino e seu decisivo ministério de quase 25 anos na cidade suíça de Genebra. Na tabela abaixo, oferecemos ao leitor um rápido panorama dos principais mitos construídos em torno de Calvino, e o quadro real que emerge do estudo sério de sua vida e influência na igreja e sociedade ocidental.



Mito: Calvino inventou a doutrina da predestinação.

Fato: Entre outros, Agostinho, Anselmo, Aquino, Lutero e Zwinglio ensinaram e escreveram sobre a doutrina da predestinação antes de Calvino, enfatizando a livre graça de Deus triunfando sobre a miséria e escravidão ao pecado.



Mito: A doutrina da predestinação é central na teologia de Calvino.

Fato: Em seus escritos, especialmente nos comentários, Calvino trata do tópico quando o texto bíblico exige. E como alguns eruditos têm sugerido, o tema central de sua teologia parece ser a união mística do fiel com Cristo.



Mito: Calvino não tinha interesse em missões.

Fato: Entre 1555 e 1562 um total de 118 missionários foram enviados de Genebra para o exterior – um número muito superior ao de muitas agências missionárias da atualidade. E os primeiros mártires da fé evangélica nas Américas foram enviados por Calvino ao Brasil para encontrar um lugar de refúgio para os reformados perseguidos na Europa e evangelizar os índios.



Mito: A crença na predestinação desestimula a oração.

Fato: Calvino escreveu mais sobre a oração do que a predestinação nas Institutas, enfatizando a oração como um meio de graça por meio do qual a vontade de Deus é realizada e suas bênçãos são derramadas.



Mito:Calvino é o pai do capitalismo.

Fato:As forças que moldaram o capitalismo moderno já estavam presentes na cultura ocidental cerca de 100 anos antes da reforma. O que Calvino valorizou em seus escritos foi o estudo, o trabalho, a frugalidade, a disciplina e a vocação como meios de superar a pobreza. Ele não condenou a obtenção de lucros advindos do trabalho honesto.



Mito: Calvino foi o ditador de Genebra.

Fato: Ele tinha pouca influência sobre as decisões acerca do ordenamento civil da cidade e não tinha direito de voto em decisões políticas ou eclesiásticas no conselho municipal. Sua influência era persuasiva, por meio de seus sermões e escritos. Em países influenciados pelo pensamento calvinista não surgiram ditadores, nem nas esferas políticas muito menos nas eclesiásticas.



Mito:Calvino mandou matar Miguel Serveto.

Fato: Serveto foi executado por ordem do conselho municipal de Genebra por heresia, especialmente por negar a doutrina da Trindade. Ele havia sido condenado pelas mesmas razões por dois tribunais católicos, só escapando da morte por ter fugido da França. Inexplicavelmente ele foi para Genebra. No fim, todos os reformadores europeus apoiaram unanimemente a decisão do conselho de Genebra.



Mito: Os ensinos de Calvino são social e politicamente alienantes.

Fato: Pode-se ver a influência do pensamento de Calvino na revolução puritana de 1641 e na primeira deposição e execução de um rei tirano em 1649, na Inglaterra; no surgimento do governo republicano (com a divisão e alternância do poder, além de ênfase no pacto social); na revolução americana de 1776; na libertação dos escravos e na defesa da liberdade de imprensa.



Mito: Calvino não tinha interesse em educação.

Fato: Calvino não só inaugurou uma das primeiras escolas primárias da Europa como ajudou a fundar a Universidade de Genebra, em 1559. Algumas das mais importantes universidades do ocidente, como Harvard, Yale e Princeton foram fundadas por influência dos conceitos educacionais do reformador francês. A imagem permanente associada às igrejas reformadas é que estas sempre têm uma escola ao lado.



Mito:Os ensinos de Calvino não são bíblicos.

Fato: Calvino enfatizou fortemente a autoridade e prioridade das Escrituras e praticamente inaugurou o método histórico-gramatical de interpretação bíblica. Escreveu comentários sobre quase todo o Novo Testamento e grande parte do Antigo Testamento, além de milhares de sermões. E sua grande obra foi as Institutas da Religião Cristã, que seria "uma chave abrindo caminho para todos os filhos de Deus num entendimento bom e correto das Escrituras Sagradas". O reformador francês lutou para que toda a sua cosmovisão estivesse debaixo da autoridade da Bíblia.





Não quero tratar Calvino de forma não-crítica ou iconográfica. Ele era consciente de suas fraquezas e pecados, e suas muitas orações preservadas dão testemunho de sua humildade e dependência da graça abundante de Deus em Jesus Cristo. O que almejo é levar o amado leitor a deixar de lado as caricaturas e ir direto à fonte, estudando e meditando nas obras de Calvino, reconhecendo-o e levando-o a sério como mestre da igreja (praeceptor eccleisiae). Os benefícios de tal estudo serão incalculáveis para sua vida e para aqueles ao seu redor.


Fonte: blogfiel.com.br

Existe mesmo a língua dos anjos...?

on Sábado, 4 de Julho de 2009

O falar em línguas na primeira carta de Paulo aos Coríntios 14

Já temos comentado sobre o falar em línguas no Novo Testamento nos artigos “e as línguas?” e “O falar em línguas no livro de Atos dos Apóstolos”. Agora nosso objetivo é fazer uma breve análise sobre o fenômeno em 1 Co 14, visto que às vezes se questiona se as línguas nesta carta são idênticas às de Atos. A dúvida se dá também por causa das línguas hoje faladas no meio pentecostal, as quais não aparecem na forma de idiomas humanos, mas como o gritar ou falar sílabas desconexas e sem sentido.
Antes, porém, convém dar uma “olhadinha” nas chamadas línguas dos anjos de 1 Co 13.1. A revista do mestre da Escola Bíblica Dominical da Casa Publicadora das Assembleias de Deus no Brasil (CPAD), no ano de 2004, na lição 7, página 46, nos diz que tal fenômeno “Pode ser uma língua dos homens... ou dos anjos (1Co 13.1)”. Mas quando olhamos o texto de forma atenta, logo percebemos que em 1Co 13.1-3 o autor faz um exagero (uma hipérbole) sobre falar em línguas, profecia, fé e liberalidade em ajudar os necessitados, a fim de mostrar a superioridade e importância do amor. Ele diz “ainda que” eu fale as línguas... e (exagera) dos anjos... tenha o dom de profetizar e conheça TODOS OS MISTÉRIOS E TODA CIÊNCIA( alguém tem o dom da onisciência ?)... tenha fé... TRANSPORTE MONTES ( é essa a finalidade???)... distribua meus bens... e ENTREGUE MEU CORPO PARA SER QUEIMADO ( isso ajudaria alguém??). Além de Paulo NÃO ESTAR AFIRMANDO que o dom de línguas seja o falar também em línguas dos anjos, a Bíblia também não registra em nenhum lugar um crente sequer falando em língua dos anjos, e, PASMEM, NÃO HÁ TAMBÉM NEM UM ANJINHO SEQUER FALANDO EM LÍNGUA DOS ANJOS! Gabriel quando aparece a Maria fala na língua dela, e não em “gabrielês” (Mt 1.20,21), os anjos com Abraão e Ló (Gn 18-19) etc. Nem os serafins em Isaías 6.1-3 aparecem falando em tais línguas! Não esqueça: Paulo diz “AINDA QUE” antes de discriminar cada dom no texto. O batismo é com o Espírito Santo e não com o arcanjo Miguel!
Mas, e 1 Co 14? Bem, Paulo em todo o Capítulo 12 havia dito que a finalidade dos dons era a edificação da igreja como um todo, e não indivíduos apenas. Em 1Co 14 ele inicia exortando a busca pela profecia, em detrimento das línguas, com o fim de edificar a igreja (v.1), a não ser que haja interpretação para que todos sejam edificados (v.5). É aí que muitos pentecostais se equivocam sobre a natureza das línguas e acham que nessa epístola elas não são idiomas por causa dos v.2,3 e 4. Não devemos nos esquecer que a carta foi escrita com o fim de corrigir os erros que estavam ocorrendo na igreja de Corinto. É por isso que Paulo diz que quem “fala em língua não fala aos homens, senão a Deus...”. PORQUE ELE DISSE ISSO? Ele mesmo responde: “... visto que ninguém o entende”. Ele está dizendo o que está ocorrendo NA PRÁTICA! É como se alguém dissesse: “A sua esposa preparou um bolo, não para você, mas para as formigas, visto que ninguém comeu”. O bolo era para você, mas já que ninguém o comeu, na prática parece ter sido feito para as formigas. Paulo não estava dizendo, como muitos podem pensar, que a finalidade das línguas é a comunicação com Deus, mas falando o que estava OCORRENDO NA PRÁTICA, NA IGREJA. Então alguém pode perguntar o por quê de Paulo escrever “em espírito fala mistérios...”(v.2). Ora, a palavra mistério aparece no Novo Testamento cerca de 28 vezes, cujo sentido é o de uma verdade sobre o método redentivo, outrora oculta, mas agora revelada. Exemplo: “...a vós é dado SABER OS MISTÉRIOS do Reino dos céus, mas a eles não lhes é dado...” ( Mt 13.11); “Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos” ( 1Co15,51). Note que mistério aqui é algo revelado e que edifica a igreja. Quando Paulo diz “em línguas fala mistérios”, mistérios aqui é o que é falado, o conteúdo, não a natureza da língua. Paulo falou mistérios várias vezes ( Rm11.25; 16.25;Cl 1.25,26). Quem falava em línguas trazia um mistério da parte de Deus. É por isso que Paulo deseja que haja quem traduza, para que toda a igreja seja edificada (v.5). O v.4 deve ser lido nessa perspectiva, pois, não havendo interpretação, se há algum tipo de edificação, essa só se daria para o falante simplesmente por saber que possuía o dom, visto que sua mente ficava infrutífera (v.14). O v.6 mostra que as línguas sem interpretação não tem utilidade. O v.9 chega a dizer que não havendo entendimento, os crentes, na prática, estariam como se ‘falassem ao ar’. Os v.11e 12 dizem que se não houver compreensão, as línguas acabariam por transformar falante e ouvinte em estrangeiros, e que, ainda que essa não fosse a finalidade das línguas, isso é o que estava acontecendo com os coríntios. O entendimento é o que edifica e o que deve ser buscado (v.19).
Os v.20-25 também são de grande relevância. Para explicar o que estava acontecendo, Paulo procura um texto que se encontra em Is 28.11,12, o qual se refere às línguas dos assírios que viriam para castigar o povo rebelde de Israel. Ora, será que o apóstolo usaria um texto que fala de idiomas para tentar explicar as línguas de Corinto caso essas não fossem idiomas humanos? Que escorregada hermenêutica teria dado o “doutor da Lei”! Contudo, Paulo sabia o que estava fazendo. Ele sabia das maldições pactuais estabelecidas por Deus em Deuteronômio 28 em caso de desobediência, e que um dos castigos era o de trazer uma nação de longe, e de língua desconhecido, para castigar Israel (v.49). Isso é repetido em Jeremias 5.15 e em Isaías 28.11,12. Sempre que Deus levantava profetas para exortar o povo ao arrependimento, para os que criam, as declarações proféticas funcionavam de sinal. Já os que não criam nos profetas, só passavam a acreditar que deveriam ter se voltado para Deus quando ouviam as línguas desconhecidas da nação inimiga sitiando a cidade santa. Lembremo-nos que Jesus certa vez falou aos fariseus e sacerdotes que, por causa da incredulidade, o reino de Deus lhes seria tirado e dado a um povo que produza seus devidos frutos (Mt 21.42-46). O tratamento especial dado a Israel (Cf. Sl 147.19,20), deixa de existir e o povo de Deus passa a ser formado por gente de todas as nações (Mt 28.19,20). Quando foi que isso ocorreu? Em Pentecostes (At 1.8; 2.1-13) e com o uso de línguas. Deus mais uma vez castigava Israel tomando-lhe o reino, só que agora seria definitivamente! Não esqueçamos que Paulo antes de ir para os gentios em Corinto, havia ido aos judeus nessa mesma cidade, havendo estes, em sua maioria, rejeitado o Evangelho (Cf. At 18.1-11). Aí ele lembra aos irmãos que o ouvir muitas línguas estrangeiras faladas ao mesmo tempo e sem tradução lembrava o castigo de Deus sobre o povo que não cria nos profetas (1Co 14.22). Esse comportamento seria motivo de escárnio para indoutos, levando o Evangelho a ser motivo de chacota (v.23). Agora, havendo a proclamação profética da vontade de Deus para o homem pecador, o descrente será confrontado com a verdade de sua condição de pecador e se prostrará diante do Senhor (v.24,25). Ainda que não tivessem sido proibidas (v.39), as línguas deveriam ser usadas com ordem e decência (v.40). E o que o autor entende por ordem e decência? Haver no máximo três que falariam no culto, sucessivamente e com tradução (v.27). Caso não houvesse intérprete, o fiel deveria ficar calado, falando consigo e com Deus (v.28). Alguns entendem que esse trecho recomenda o falar baixinho, mas note que ele diz antes “fique calado”, o que nos leva a crer que Paulo aqui recomenda uma oração silenciosa. Só assim é possível estar calado no culto e falando consigo e com Deus.
Sei que muitos poderão dizer que isso é afirmação de crentes frios, que não crêem no poder de Deus, e que com eles acontece segundo o Espírito Santo deseja, e que esse mover espiritual não seria apagado “pela letra morta”. Bem, aqueles que acharem que por que são mais espirituais devem desconsiderar as orientações deixadas pelo apóstolo, deixo as palavras de Paulo como reflexão: “Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo. E, se alguém o ignorar, será ignorado.” (1 Co 14.37,38).
Que Deus abençoe a todos!
Anderson José Teixeira Cavalcanti de Barros
www.plugadoscomdeus.blogspot.com

Jesus, Solução Para Dor e Angústia

on Sexta-feira, 3 de Julho de 2009



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A Confissão de Fé Westminster Capítulo I

on Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Confessar é contar, reconhecer como verdade, divulgar, seguir, portanto, ao divulgarmos esta confissão de fé estamos dizendo que subescrevemos e a consideramos fiel interpretação das Escrituras Sagradas, logicamente não é livre de falhas, como ela mesmo prescreve, mas é uma agulha magnética para que possamos nos orientar em dias de confusão total.Antes divulgamos em nosso blog alguns excertos desta, agora divulgaremos em sua totalidade.
A Confissão de Fé de Westminster é uma confissão de fé reformada, de orientação calvinista. Adotada por muitas igrejas presbiterianas e reformadas ao redor do mundo, esta Confissão de Fé foi produzida pela Assembléia de Westminster e aprovada pelo parlamento inglês em 1643.

Confissão de Fé de Westminster
CAPÍTULO I
DA ESCRITURA SAGRADA
I. Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo.
Sal. 19: 1-4; Rom. 1: 32, e 2: 1, e 1: 19-20, e 2: 14-15; I Cor. 1:21, e 2:13-14; Heb. 1:1-2; Luc. 1:3-4; Rom. 15:4; Mat. 4:4, 7, 10; Isa. 8: 20; I Tim. 3: I5; II Pedro 1: 19.
II. Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, que são os seguintes, todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e de prática:
O VELHO  TESTAMENTO
Gênesis Esdras Oséias
Êxodo Neemias Joel
Levítico Ester Amós
Números Obadias
Deuteronômio Salmos Jonas
Josué Provérbios Miquéias
Juízes Eclesiastes Naum
Rute Cântico dos Cânticos Habacuque
I Samuel Isaías Sofonias
II Samuel Jeremias Ageu
I Reis Lamentações Zacarias
II Reis Ezequiel Malaquias
I Crônicas Daniel
II Crônicas
 
O NOVO TESTAMENTO
Mateus
I Timóteo
Marcos
II Timóteo
Lucas
Tito
João
Filemon
Atos
Hebreus
Romanos
Tiago
I Coríntios
I Pedro
II Coríntios
II Pedro
Gálatas
I João
Efésios
II João
Filipenses
III João
Colossenses
Judas
I Tessalonicenses
Apocalipse
II Tessalonicenses

Ef. 2:20; Apoc. 22:18-19: II Tim. 3:16; Mat. 11:27.
III. Os livros geralmente chamados Apócrifos, não sendo de inspiração divina, não fazem parte do cânon da Escritura; não são, portanto, de autoridade na Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados ou empregados senão como escritos humanos.
Luc. 24:27,44; Rom. 3:2; II Pedro 1:21.
 
IV. A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a palavra de Deus.
II Tim. 3:16; I João 5:9, I Tess. 2:13.
V. Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e incitados a um alto e reverente apreço da Escritura Sagrada; a suprema excelência do seu conteúdo, e eficácia da sua doutrina, a majestade do seu estilo, a harmonia de todas as suas partes, o escopo do seu todo (que é dar a Deus toda a glória), a plena revelação que faz do único meio de salvar-se o homem, as suas muitas outras excelências incomparáveis e completa perfeição, são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a palavra de Deus; contudo, a nossa plena persuasão e certeza da sua infalível verdade e divina autoridade provém da operação interna do Espírito Santo, que pela palavra e com a palavra testifica em nossos corações.
I Tim. 3:15; I João 2:20,27; João 16:13-14; I Cor. 2:10-12.
VI. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas.
II Tim. 3:15-17; Gal. 1:8; II Tess. 2:2; João 6:45; I Cor. 2:9, 10, l2; I Cor. 11:13-14.
VII. Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em um ou outro passo da Escritura são tão claramente expostas e explicadas, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos meios ordinários, podem alcançar uma suficiente compreensão delas.
II Pedro 3:16; Sal. 119:105, 130; Atos 17:11.
VIII. O Velho Testamento em Hebraico (língua vulgar do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em Grego (a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal; mas, não sendo essas línguas conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras e que deve no temor de Deus lê-las e estudá-las, esses livros têm de ser traduzidos nas línguas vulgares de todas as nações aonde chegarem, a fim de que a palavra de Deus, permanecendo nelas abundantemente, adorem a Deus de modo aceitável e possuam a esperança pela paciência e conforto das escrituras.
Mat. 5:18; Isa. 8:20; II Tim. 3:14-15; I Cor. 14; 6, 9, 11, 12, 24, 27-28; Col. 3:16; Rom. 15:4.
IX. A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente.
At. 15: 15; João 5:46; II Ped. 1:20-21.
X. O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura.
Mat. 22:29, 3 1; At. 28:25; Gal. 1: 10.